Mostrando postagens com marcador Eugène Delacroix. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eugène Delacroix. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Trabalho e prova

O trabalho deverá ser entregue impreterivelmente dia 15 de junho.
A prova será realizada dia 22 de junho.
Trabalho
A partir dos dois textos e das três obras abaixo, refletir sobre as diferentes concepções de arte que eles apresentam.
TEXTO I:
“Esse escrúpulo exclusivo de mostrar apenas aquilo que é mostrado na natureza tornará sempre o pintor mais frio do que a natureza que ele crê imitar; aliás, a natureza está longe de ser sempre interessante do ponto de vista do conjunto. Se cada detalhe oferece uma perfeição que eu chamarei de inimitável, em compensação a união desses detalhes apresenta raramente um efeito equivalente àquele que resulta, na obra do grande artista, do sentimento do conjunto e da composição. É o que me fazia dizer, há pouco, que se o emprego do modelo oferecia ao quadro algo de marcante, isso só podia ocorrer com os homens muito inteligentes: em outros termos, que apenas aqueles capazes de criar efeito dispensando o modelo, são os que podem verdadeiramente tirar partido dele quando o consultam.
Que seria, aliás, se o tema comportar muito efeito patético? Vejam como, em tais temas, Rubens vence a todos! Como a franqueza de sua execução, que é uma conseqüência da liberdade com a qual ele imita, acrescenta ao efeito que ele quer produzir sobre o espírito! Vejam essa cena interessante, que se passará, se quiserem, em volta do leito de uma moribunda: traduzam, captem, se é possível, pela fotografia, esse conjunto; ele será estragado por mil aspectos. É que, segundo o grau de sua imaginação, a cena lhe parecerá mais ou menos bela, você será poeta mais ou menos, nessa cena em que você é o ator; você vê só o que é interessante, enquanto o instrumento terá incluído tudo.
Faço essa observação e corroboro todas as que precedem, quer dizer, a necessidade de muita inteligência na imaginação, revendo os esboços feitos em Nohant para a Sant’Ana: o primeiro, copiado diretamente da natureza, é insuportável quando revejo o segundo, que é, no entanto, quase o decalque do precedente, mas no qual minhas intenções são mais pronunciadas e as coisas inúteis distanciadas, introduzindo também o grau de elegância que eu sentia necessário para chegar à impressão do tema.
É assim muito mais importante para o artista aproximar-se do ideal que traz em si, e que lhe é particular, do que deixar, mesmo com energia, o ideal passageiro que a natureza pode apresentar, e ela apresenta tais partes; mas ainda uma vez, é um tal homem que as vê ali, e não o homem comum, prova que é sua imaginação que faz o belo, justamente porque ele segue seu gênio.
Esse trabalho de idealização se faz em mim quase mesmo sem que eu tenha consciência, quando eu decalco uma composição saída de meu cérebro. Essa segunda edição é sempre corrigida e mais próxima de um ideal necessário; assim, ocorre o que parece uma contradição e que explica, no entanto, como uma execução muito detalhada como a de Rubens, por exemplo, pode não atrapalhar o efeito sobre a imaginação. É sobre um tema perfeitamente idealizado que essa execução se exerce; a superabundância dos detalhes que se inserem ali, em conseqüência da imperfeição da memória, só pode destruir essa simplicidade, bem superiormente interessante, que foi encontrada primeiro na exposição da idéia, e, como acabamos de ver a propósito de Rubens, a franqueza da execução termina por compensar o inconveniente da prodigalidade de detalhes. Que, se em meio a tal composição você introduzir uma parte feita com grande cuidado a partir do modelo, e se você o fizer sem provocar uma completa discordância, você realizou a maior das proezas,  harmonizou o que parece inconciliável: de algum modo, é a introdução da realidade no meio de um sonho; você terá reunido duas artes diferentes, porque a arte do pintor é tão diferente do frio copista quanto a declamação de Fedra é distante da carta de uma costureirinha a seu amante.”
Eugène Delacroix, Diário, quarta-feira, 12 de outubro de 1853.

TEXTO II:
“Eles (os impressionistas) puseram fora de moda as formas inferiores do romantismo, preferindo a realidade às literaturas, o presente ao passado, a sensação justa aos equívocos do sonho. Amando, para além das elevações da natureza e do homem, as paisagens módicas, que florescem na franja das grandes cidades, os subúrbios e seus jardinzinhos, os divertimentos sob o caramanchão, os passeios de canoa, os banhos de rio, como também o prodigioso tumulto urbano, as estações de trem empenachadas de vapores e de sol, as ruas vistas do quinto andar, os hipódromos, o bar, o music-hall, não foram cronistas anedóticos, ilustradores de episódios: pediam à sua época uma força e um segredo que escapam ao tempo, a lição direta que irrompe da vida. Como Guys, misturaram-se às multidões, mas as arrancaram ao despotismo do preto e branco, à atmosfera de água e fumaça de um lavis morno, para restituí-los à poesia da luz. (...) Uma sorte de alegria os carrega, mesmo durante os rigores do inverno, mesmo na rudeza das grandes solidões, um confiante naturalismo, para o qual a vida não é nem função nem servidão, mas plenitude profusa, poder de mudança e de renovação. Pelas fortes bases da terra passa a luz do sol, passam as estações e os meses, os dias e mesmo as horas, passam os homens as como gerações de folhas do velho poeta. Tudo é aspecto movente, fluxo, diversidade, passagem; cada ser vivo é uma sucessão de fenômenos, um jogo de aparências e de movimento.
A regra de ouro que os comanda, o meio que os contém e estimula, é a luz. Os pintores impressionistas foram atraídos por ela como homens sadios, que despertaram numa manhã de verão. Tinham necessidade dela para suas obras, - e para suas vidas. Abandonaram os ateliês, as janelas dando para o norte e seus frios raios de laboratório, que levam a enxergar em cinza ou, por reação, a intensificar graças a violentos contrastes de sombra. O ar livre, foi Monet que ousou pintá-lo ao ar livre pela primeira vez, não fazendo estudos para paisagens, mas executando grandes quadros. Viu o sol mudar com as horas, espalhar uma luz, não fixa e árida,  mas ondulosa, vibrátil e que volteia. Aos olhos dos impressionistas, ela foi a própria alma do universo, ao mesmo tempo constante e fugidia, sempre presente e nunca parecida consigo própria. Seguiram seus percursos e seus modos com a atenção mais desperta; viram-na vibrar: ela não atinge a terra, os edifícios, o rosto dos homens por meio de grandes planos estáveis; ela se expande em leves átomos, penetra as massas, mescla-as à sua irradiação. Ela as irisa com seus minutos rutilantes, ela arranca a matéria à inércia, ela a torna poeira, ela a volatiliza.”
Henri Focillon. La peinture au XIXe siècle. Flammarion, Paris, 1991, pg. 202-203.

IMAGENS:
Eugène Delacroix. Pietà , 1844 - Paris, Igreja de Saint-Denis du Saint Sacrement (355 x 475 cm)

Édouard Manet.Um bar no Folies-Bergère 96 cm × 130 cm  1882 Courtauld Institute Galleries, Londres
Claude Monet. Impressão, sol nascente, 1872 – Musée Marmottan. 48 x 63 cm

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A barca de Dante, de Eugène Delacroix

Eugène Delacroix. A Barca de Dante, 1822
detalhe do torso de Caronte

Michelangelo. O juízo final (detalhe), 1537-41

Torso do Belvedere

Desenho de Peter Paul Rubens a partir do Torso do Belvedere

Gérôme. Michelangelo e o torso do Belvedere, 1849
Peter Paul Rubens. A lamentação, c.1609

detalhe d'A barca de Dante

Peter Paul Rubens. O triunfo da Igreja sobre a fúria, a discórdia e o ódio, 1628

detalhe d'O triunfo da Igreja sobre a fúria, a discórdia e o ódio
detalhe d'A barca de Dante
 Eugène Delacroix e Paul Cézanne

Paul Cézanne. A barca de Dante, 1870-3
Delacroix. A barca de Dante, 1822
Delacroix. Medeia furiosa, 1838
Paul Cézanne. Medeia furiosa, 1879-82
Paul Cézanne. Apoteose de Delacroix, 1890-4
Gustave Courbet. O encontro ou Bonjour Monsieur Courbet, 1854

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Luxo, prazer e morte

Como o prof. Coli disse, no final do século XIX há um gosto que se aflora, no âmbito cultural, cujos principais constituintes são o luxo, o prazer e a morte. Delacroix preconiza alguns desses elementos em sua obra Heliodoro expulso do templo. 

Delacroix
Heliodoro expulso do templo, 1854-61,
óleo e cera sobre gesso, 751 x 485 cm,
Igreja de Saint-Sulpice, Paris.
Ele pinta em 1827 uma obra que mescla, assim como em Heliodoro, mas talvez de uma forma mais evidente, esse prazer perverso.
Delacroix
A morte de Sardanapalo, 1827
Museu do Louvre, Paris.


Posteriormente, e principalmente nas últimas três décadas do XIX, alguns pintores, dentre eles Gustave Moreau, utilizam-se destes elementos, da junção entre dor, prazer e sensualidade para criar suas majestosas obras.
Os pretendentes, coloca-se como uma delas, que narra o retorno de Ulísses e o massacre de Antínoo e todos os outros usurpadores. Canto XXII da Odisséia, de Homero.


"(...) Mas não presumo que possa um sequer escapar do extermínio." Odisséia - Canto XXII: 67

Gustave Moreau, Os pretendentes, l852
 


O tema da femme fatale, aparece também na obra de Moreau, tal qual nas inúmeras versões da Salomé, que, como o prof. salienta foi um tópico muito recorrente no fim do século, na pintura, literatura, ópera etc.
Deixo aqui algumas versões, nas quais podemos observar o trabalho cuidadoso do pintor. Os três elementos: luxo, prazer e morte, apresentam-se intrínsecos, no conjunto do quadro. 
A ornamentação fortemente presente, não apenas nas vestimentas de Salomé, mas em toda a arquitetura, faz com que toda a tela dance, transformando todo o conjunto em um ambiente absurdamente luxuoso. O sangue de João Batista, reverbera-se nos tecidos e nas vestes do carrasco. Tudo respira essa atmosfera anteriormente anunciada por Delacroix.

A aparição, 1874-76

Salomé (Salomé dançando diante de Herodes), 1874-76

A aparição, 1875


terça-feira, 15 de março de 2011

Van Gogh e Delacroix: As Pietàs

Como vimos, Vincent van Gogh em setembro de 1889 fez a sua versão (azul) da Pietà de Delacroix.

Segue abaixo a carta do pintor com a gravura da obra que o inspirou, seguido de sua pintura e a de Delacroix.



"J’en ai peint quelques uns pour moi-même aussi dans ces dernieres semaines – je n’aime pas trop à voir dans ma chambre à coucher mes propres tableaux donc j’en ai copié un de Delacroix et quelques uns de Millet.
Le Delacroix est une piéta c.à.d. un Christ mort avec la Mater dolorosa. A l’entrée d’une grotte git incliné, les mains en avant sur le côté gauche, le cadavre épuisé et la femme se tient derrière. C’est une soirée après l’orages et cette figure desolée vêtue de bleu se détache – ses vêtements flottants agités par le vent – contre un ciel où flottent des nuages violets bordés d’or. Elle aussi par un grand geste désesperé etend les bras vides en avant et on voit ses mains, des bonnes mains solides d’ouvrière. Avec ses vetements flottants cette figure est presqu’aussi large d’envergure que haute. Et le visage du mort étant dans l’ombre, la tete pâle de la femme se detache en clair contre un nuage – opposition qui fait que ces deux têtes paraitraient une fleur sombre avec une fleur pâle, arrangées exprès pour se faire valoir." -Vincent van Gogh

Eugène Delacroix. Pietà, c.1850 - Nasjonalgalleriet, Oslo-Noruega.
Vincent van Gogh. Pietà, Setembro de 1889
73 x 60.5 cm
Museu van Gogh
Amsterdã

Pietà e a deposição: outras imagens

Segue abaixo outras imagens comparadas à Pietà de Eugène Delacroix.

A Deposição de Caravaggio, cujo braço do Cristo morto é repetido na obra de Delacroix:

Michelangelo Merisi, Caravaggio (1571, Caravaggio, 1610, Porto Ercole). A deposição, 1602-03 (300 x 203 cm Pinacoteca Vaticana (clique aqui para ver o texto da obra)




detalhe de Eugène Delacroix. Pietà, 1844
detalhe de Caravaggio. A deposição, 1602-3

Na obra de Jean-Auguste-Dominique Ingres, O martírio de São Sinforiano vemos o gesto repetido de Maria Madalena (Caravaggio) por São Sinforiano e sua mãe.

Jean-Auguste-Dominique Ingres.
O martírio de São Sinforiano, 1834 - 4,07m x 3,39m,
Catedral de Autun
Posteriormente vemos esse mesmo gesto de apelo na obra de Pablo Picasso, Guernica.

Pablo Picasso. Guernica, 1937




Delacroix e Rosso Fiorentino

Abaixo as obras de Eugène Delacroix e Fiorentino Rosso.


Eugène Delacroix,. Pietà, 1844 -  Paris, Igreja de Saint-Denis du Saint Sacrement (355 x 475 cm)

Esboço para a obra de Eugène Delacroix, Pietà (1844)

ROSSO FIORENTINO (1494, Firenze, 1540, Paris) Pietà, 1537-40 (125 x 159 cm) -  Musée du Louvre, Paris