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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Simbolismo e decadentismo

Caros,
Na aula do dia 04, o prof. Coli falou sobre uma sensibilidade muito em voga nas últimas décadas do século XIX: o simbolismo e o decadentismo. Deixo abaixo as imagens e os livros indicados.


Michael Gibson. Simbolismo – Taschen, 1999
Huysmans, Joris Karl. Às avessas – Cia. das Letras, Penguin, 2011
Alexandre Séon (1855 - 1917)
Retrato de Sâr Joséphin Péladan
1891
“Gaga, com os dedos arqueados como garras, avançou para ela, mas Leonora lhe chicoteou os seios gordos, violenta. Hurrando, a moça procurou alguma coisa para atirar à cabeça da princesa; não teve tempo. Sobre suas espáduas, sobre seus braços, sobre suas coxas, choviam os golpes de açoite. Vociferante e covarde sob a dor, ela cuspia as imprecações do lupanar; e esses termos ignóbeis exasperaram a cólera da princesa. Com um feroz chicotear, ela fazia reentrar nessa nudez flácida cada obscenidade que saía dela; e uma aguda volúpia a tomava, ao sentir essa carne se esmagar sob seus golpes e se riscar de longas estrias, vermelhas primeiro, e todas violetas.
(...)
Leonora, revoltada com a intervenção do criado, chicoteou-lhe o rosto. Esse desvio de atenção bastou para que Gaga fugisse. Leonora a perseguiu através dos salões e a alcançou no momento em que atingia a escadaria. Com sua cabeleira avermelhada esparsa, seu corpete de cetim azul que conferia uma espécie de couraça à sua esbeltez de arcanjo, parecia um daqueles que castigam Heliodoro nos afrescos. Acuou a moça num ângulo do patamar, e lá, nesse lombo de prostituta, castigou formidavelmente, embriagada pelos gritos assustadores que respondiam aos seus golpes. Enfim, seu braço cansado, caiu; a moça precipitou-se, rolando pela escada.”
Le Vice suprême, 1884 Le Sâr Péladan "Sâr Mérodack Joséphin Péladan" (1858 – 1918)
Alexandre Séon. O desespero da esfinge, 1890

Alexandre Séon. O lamento de Orfeu, 1896.



Carlos Schwabe. 
Cartaz para a primeira exposição Rosacruz, 1892
Galeria Durand Ruel, Paris

Rose+Croix
Missão: Louvar e servir o Ideal.
1891: Mandamentos da estética Rosacruz:
Banir “toda pintura histórica, patriótica e militar, todas as representações da vida contemporânea, o retrato, as cenas rurais, as marinhas, o orientalismo, todos os animais domésticos ou ligados aos esportes, as flores, as naturezas mortas, frutos, acessórios e outros exercícios que os pintores têm habitualmente a insolência de expor”.
“Para favorecer o êxtase místico e o ideal católico, a ordem acolherá qualquer obra baseada na lenda, mito, alegoria ou sonho...”
Jean Deville
Retrato do mestre da Rose+Croix, 1904



Os salões Rosa-Cruz:

Ordem do templo da Rosa-Cruz (ruptura com a Rosa-Cruz Cabalística)

Salões anuais de 1892 a 1897.

Primeiro salão 1892

Galeria Durand-Ruel. Grance sucesso graças a popularidade dos romances de Péladan.

Erik Satie. Ferdinand Knopff. Cartaz por Schwabe


Segundo salão1893

Fernand Khnopff. Presença belga:  Jean Delville.


Terceiro salão 1894

Além dos precedentes,  Alexandre Séon.


Publicação de Art idéaliste et mystique, doctrine de la Rose-Croix,  1894: crisde dos Salões.
Declínio até o sexto e último salão
Jean Delville. O amor das almas, 1900

Jean Delville
Retrato de Mme Stuart Merril, 1892
Pastel
 Jean Delville. Estudos para o Palais de Justice de Bruxelas, 1911-1914

Jean Delville. Escola de Platão, 1898

Jean Delville. Estudo para O reino de Satã
Jean Delville. Os tesouros de Satã, 1894

Pierre Puvis de Chavannes. Jovens à beiramar, 1879 - Musée D'Orsay, Paris.

Carlos Schwabe e as ilustrações para As flores do mal, de Baudelaire
Benção, 1900

Mulheres Malditas (Delphine e Hyppolite), 1900

Barril de ódio, 1900
Carlos Schwabe. A morte do coveiro, 1895.

Jacek Malczewski. Thanatos I, 1898
Edvard Munch. Vampiro, 1893
Nasjonalgalleriet, Oslo 
 
Fernand Khnopff. A esfinge, ou as carícias, 1896
Fernand Khnopff. Istar, 1888.
Alfred Kubin. A dama no cavalo, 1900

Alfred Kubin. Morte Súbita, 1902
Alfred Kubin. De volta ao útero, 1902
Félicien Rops, L' Initiation Sentimentale 1887
(Ilustração para La décadence latine) – lápis e aquarela sobre papel


Gustav Mossa. Mary de Magdala, 1907

Gustav Mossa. Elle, 1905 (nome retirado do poema Alegoria, d'As flores do mal, de Baudelaire)

Gustav Mossa. Salomé ou o início do cristianismo, 1901
Gustave Moreau. A aparição, 1875

Aubrey Beardsley. A recompensa da dançarina, 1893 (Ilustração para Salomé, de Oscar Wilde)

Gustav Klimt. Judith I, 1901
 Salomé, Oscar Wilde (1893)
"Salomé - Por que não me olhas, Iocanaan? Teus olhos, que eram terríveis, tão cheios de ódio e escárnio, estão fechados agora. Por que estão fechados? Abre-os! Ergue as pálpebras, Iocanaan! Por que não me olhas? Estás com medo de mim, Iocanaan, e por isso não me olhas? E a tua língua, que era como uma serpente vermelha expelindo veneno, não se move mais, nada diz agora, Iocanaan, aquela víbora vermelha que cuspilhava veneno contra mim? É estranho, não? Como é que a víbora vermelha já não se move?... Consideraste-me ninguém, Iocanaan. Desprezaste-me. Pronunciaste ignóbeis palavras contra mim. Trataste-me como uma meretriz, uma dissoluta, a mim, Salomé, filha de Herodíade, princesa da Judéia! Bem, Iocanaan, eu estou viva; mas tu estás morto e tua cabeça me pertence."
      Salomé, ópera em um ato de Richard Strauss, tradução de Hedwig Lachmann, b. Estreou a 9 de dezembro de 1905 no Hofoper de Dresden. 

Capa do DVD da ópera.
Paul Gauguin. A virgindade perdida, 1891

Henri Matisse. Luxúria I, 1907

Piet Mondrian. Evolução, 1910-11

Marcel Duchamp.
La Mariée mise à nu par ses célibataires, même (Le Grand Verre)
1915/1923



Paul Delvaux. Ninfas banhando-se, 1938

sábado, 26 de março de 2011

Gentile da Fabriano e relações

Caros,

Na última aula o professor leu os comentários sobre a obra Adoração dos Magos, de Gentile da Fabriano e vimos algumas relações com a mesma.

Deixo abaixo as imagens.
Gentile da Fabriano. Adoração dos Magos, 1423





O aglomerado de personagens, presente na pintura de Gentile da Fabriano, aparece, também, nas obras de Ingres, como podemos ver em O martírio de São Sinforiano de 1834.
Jean-Auguste-Dominique Ingres.
O martírio de São Sinforiano, 1834

A ornamentação, fortemente presente em Adoração dos Magos, basta pensarmos na riqueza das vestes ou nos adornos dos animais, teve grande repercussão nos séculos seguintes. Gustav Klimt, assim como outros pintores do fim do XIX, embora com intuitos diferentes, utilizam-se dos mesmos artifícios, para criar um ambiente que mescle luxo, preciosidade, crueldade e morte.

A preciosidade invade não só a tela, mas também aquilo que a cerca - a moldura.
Tudo na obra fica rico, precioso.
Gustav Klimt. Judith I, 1901.




Para os que quiserem explorar um pouco mais a obra, graças ao Google Art Project, podemos ver os detalhes da Adoração dos Magos: http://www.googleartproject.com/museums/uffizi/adoration-of-the-magi-43